Seguro; Gasto ou Investimento?

 

São muitos os significados dados para os termos “gasto/gastar”, mas para a maioria das pessoas, gastar esta associado ao fato de despender alguma soma em dinheiro sem que haja uma contrapartida, ou seja, será uma perda efetivamente.

Já nos casos de “investimento/investir”, o que se pressupõe é a aplicação de uma soma em uma promessa de lucro ou benefício futuro.

Do ponto de vista do seguro, a contratação de uma apólice tem a conotação mais próxima do investimento, não pela promessa de lucro, o que contrariaria totalmente as premissas do seguro, mas sim, pelo benefício de poder ter seus bens, objetos do seguro, repostos tal e qual estavam antes da ocorrência de um sinistro.

Me recordo do tempo em que fazia o curso para habilitação para corretores de seguro em 1988, quando um professor, ex-inspetor de sinistro, relatou uma passagem de sua vida, muito oportuna naquele momento, e que ficou gravada na minha memória. Ele nos relatou que, ao ser recepcionado pela proprietária de uma empresa, que acabara de ter suas dependências praticamente consumidas por um incêndio, bastante chateada pelo ocorrido disse ao inspetor “… a sua vida deve ser bem triste, pois a sua função é ir até locais onde somente há tristezas, perdas e desesperança…” e ele, imediatamente, retrucou ”… muito pelo contrário senhora, os locais aonde vou são aqueles para os quais existe esperança…” referindo-se ao fato da existência de uma seguro garantido aquela propriedade.

Infelizmente, buscamos reduzir despesas a todo custo, sem questionar se algumas dessas reduções não nos trarão gastos ainda maiores. Comprando gasolina por preço inferior ao de mercado, cuja qualidade e procedência são duvidosas, a econômica feita realmente representou uma redução de despesas, ou causará um prejuízo ainda maior em um futuro não muito distante?

Não contratar seguro para seu automóvel, residência ou empresa  e correr o risco baseado na máxima que “nunca bati meu carro” ou por qualquer outra argumentação é uma temeridade. Anos de trabalho para construir um patrimônio e, depois, por conta de uma economia insipiente, subitamente ver tudo se perder. Pergunte a alguém que teve seu automóvel furtado e recebeu a indenização da seguradora, qual foi o seu primeiro pensamento após a confirmação de sua perda, certamente ele dirá; “ainda bem que tinha seguro” .

Por mais que hajam argumentações pouco razoáveis em defesa do auto-seguro, redução de gastos e, até mesmo, falta de crença na idoneidade das seguradoras, há de se pensar no quanto se paga pela proteção. Para residências e empresas, o custo do seguro é uma fração do valor total, muito pequena se comparada ao potencial de perdas. No caso de seguro de autos, a parcela é mais significativa, em razão dos diversos fatores de sua constituição, mas que se justificam frente à exposição existente e facilidade de uma perda total.

O mercado de seguros do Brasil possui uma grande fatia ainda não explorada, que será alvo de corretores e seguradoras, que buscarão esclarecer os benefícios do pequeno investimento que é a contratação de um seguro e aí, caberá ao consumidor, já esclarecido, decidir em qual posto ele vai comprar a gasolina.

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